segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A NOVA MATRIZ PAROQUIAL DE PIQUET CARNEIRO – CRÔNICA DAS REFORMAS E AMPLIAÇÕES, DO PE. FREIRE AO PE. JAIME (PARTE 1)

Piquet Carneiro ganhou uma nova igreja matriz.

Após três anos de contínuos trabalhos de reforma e ampliação, a velha matriz dos tempos do Pe. Antônio Pinheiro Freire, vigário local entre 1948 e 1955, está de cara nova.

O trabalho, sem dúvida, hercúleo, pelo que exigiu de recursos monetários, mão de obra, material - etc, etc - iniciou-se em outubro de 2011, com a demolição da antiga sacristia, construída em 1948.

Não me canso de afirmar que a devoção do povo católico de Piquet Carneiro ao Sagrado Coração de Jesus, seu padroeiro, tem suas raízes fincadas nos inícios da década de 20, do passado século, com a edificação da primitiva “Capela da Vila de Jirau”.

O terreno para a construção do referido templo adveio de uma doação feita pelo Sr. Joaquim Rodrigues de Paula (* 1900 + 1961) , popularmente conhecido pela alcunha de “Quinzinho”, homem de espírito abnegado, que ainda haveria de doar outras porções de suas tantas terras em benefício do Piquet Carneiro de antanho.

No dia 2 de janeiro de 1925, a “Escritura de Doação” é lavrada no Cartório de Senador Pompeu, ante as presenças do doador, dos senhores Antônio Moreira Pinto ( + 1973) e Casemiro Nogueira, e ainda do revmo. Pe. Francisco Lino Aderaldo de Aquino (+ 1941) , vigário de Senador Pompeu, e cura da capela da Povoação de Jirau.

Os trabalhos de construção da capela, concretizados em 1925, sob a supervisão do vigário Lino Aderaldo, deram-se em ritmo de “mutirão”, de acordo com informação que me foi repassada, anos atrás, pela senhora Margarida Alves Ferreira (+ 2013) , minha tia, de veneranda memória: ela própria, garota de dez anos, auxiliou na condução dos tijolos utilizados no levantamento das paredes do aludido templo.

Em 25 de janeiro de 1948, é criada a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, de Piquet Carneiro. No dia 15 de fevereiro daquele mesmo ano, conduzido por trens da velha Rede de Viação Cearense (RVC) , desembarca ,em solo piquet carneirense, o reverendíssimo Pe. Antônio Pinheiro Freire, nomeado por Dom Antônio de Almeida Lustosa, arcebispo de Fortaleza, para ocupar o posto de 1º vigário de Piquet Carneiro.

Pe. Freire, falecido aos 75 anos de idade, em 19 de janeiro de 1996, trazia, nas mangas de seu hábito sacerdotal, um macro programa de governo pastoral, para o Piquet dos anos 1940/50: fundação de escola, fundação das associações pias, cursos de corte e costura, criação do círculo operário (1ª cooperativa), distribuição de leite para as pessoas carentes, instalação de um sistema de alto-falante (chamado de “A voz da Paróquia) .... e o desejo de reformar e de ampliar a capela da época do Pe. Lino. Ele foi o “pioneiro” do associativismo em nossa terra.

E assim se fez: à velha capela foram-lhe agregados outros compartimentos; seus minguados espaços físicos se dilataram, e eis que surgem a sacristia e as naves laterais. O frontispício belo, majestoso, imponente,  encontra-se, até hoje, intacto, em que pesem as mais recentes modificações, fruto da grande reforma de 2011-14.

Ao deixar Piquet Carneiro em 15 de fevereiro de 1955, há quase 60 anos, Pe. Freire entregou um belo templo aos cuidados de seu sucessor, o Pe. Alberto Oliveira, que tomou posse em 5 de março subsequente.

Outro grande empreendedor, esse Pe. Alberto Nepomuceno, vigário de 1955 a 1958, falecido em outubro de 2012, já nonagenário, e "fora do ministério sacerdotal, visto que, licenciado pela Santa Sé, veio a contrair núpcias.

A ele, Alberto, caberia "terminar"  a matriz do Pe. Freire, edificando-lhe a torre:  uma construção, em estilo gótico, de 26 metros de altura, como narra o mencionado presbítero, em seu livro de memórias: “Páginas que ficaram”.

É ainda este vigário quem, em 27 de outubro de 1957, inaugura, solenemente,  o altar-mor de nossa igreja, feito de marmorite, que custou aos cofres da paróquia, por seu transporte, montagem e mão de obra, um montante orçado em Cr$ 98.000,00 (noventa e oito mil cruzeiros). É quanto está dito, in fide parochi, no velho livro do Tombo.

O 3º vigário de Piquet Careiro foi o Pe. Francisco Alves Teixeira, morto em 15.02.2012. Seu vicariato durou de 9 de fevereiro de 1959 até janeiro de 1966. Teixeira pode ser inserido na categoria  daqueles homens que "trazem a pressa dos que não sabem esperar", isto é, homem de múltiplas ações, de energia, que não conhece obstáculo para vencer as procelas da vida. Teve ele o mérito de co-fundar e de administrar, de 1962 a 1965,  o Ginásio Sagrado Coração de Jesus, nossa primeira escola de ensino fundamental,pertencente à CNEG (depois CNEC).

Em relação à crônica de reformas e apliações por que passou a matriz de Piquet Carneiro, ocupou-se o Pe. Teixeira de “mosaicar” a nave central e parte da sacristia, trabalhos efetuados, confome citação deixada por ele, no Tombo, em 1960. No mesmo ano, foram postas as primeiras arquibancadas, e, em 1964, deu-se a instalação das primeiras iluminárias, fixadas , como foram, no teto da nave central.

(CONTINUAREMOS…)

Por  Osmar Lucena Filho, memorialista

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