quinta-feira, 6 de junho de 2013

Maresia, sente a maresia!

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De cara logo digo, sou a favor da legalização da maconha.

Nunca fumei um beck, e não posso dizer que tive oportunidade, mesmo vivendo minha infância no Rio de Janeiro, morando ao lado de uma boca de fumo, nunca me ofereceram nada. Por ironia do destino, a primeira vez que vi alguém fumando maconha foi justamente em Piquet Carneiro-CE, fiquei surpreso, mas agi naturalmente, não sou do tipo preconceituoso. Minha família de evangélicos me manteve longe de qualquer tipo de droga e acredito que essa é a maior herança da época que frequentava a igreja. Vejo por aí muita desinformação sobre os tipos de drogas, tem muita gente que ainda acredita que maconha é a mesma coisa de cocaína, e pior, acha que a maconha é a mesma coisa que o crack (esse sim um veneno), não é a toa que existe uma política nacional encabeçada pelo Governo Federal só de combate ao Crack.

Minha experiência com a bebida alcoólica sempre foi através de outras pessoas, costumo dizer que, ironicamente, a primeira vez que bebi, foi vinho na igreja, não gostei. Perdi um tio e um amigo para o álcool, não consigo entender como ainda é normal termos amigos e parentes embriagados todo final de semana e, hipocritamente, criticamos quem fuma maconha. Tenho uma política muito pragmática sobre o tema, não bebo nem fumo só por uma questão de preservação da minha saúde, já basta às porcarias que engordam. Não faz nenhum sentido, a bebida que mata tanto, ser liberada e um produto essencialmente natural ser proibido.

Mas continuo sendo contra o uso da maconha, pura e simplesmente porque quando você compra está financiando alguém que provavelmente vai andar armado, e cedo ou tarde vai causar problema para sua comunidade, mas quem sabe no dia que liberar eu não dê um tapinha.

Por Denison F. Vieira

3 comentários :

  1. Gostei do assunto, é interessante e pertinente. Recentemente estive no Estado de Pernambuco, precisamente na cidade de Paulista, para o XXXVI Encontro Regional de Estudantes de Serviço Social - ERESS. Durante os quatro dias de evento, tem-se um espaço durante a noite, como se fosse uma "oficina", que é denominado de FUMESS - Fórum de Usuários -e não usuários- do Movimento Estudantil em Serviço Social, neste momento as pessoas que estão ali acendem o famoso "beck" e começam a "fumar", no entanto a algo de interessante nisso, ao mesmo tempo em que estão dando um "tapinha", estão também discutindo sobre a legalização da maconha no Brasil, os usos medicinais destas para a saúde, os prós e contras, etc..., E foi esse ponto que me chamou mais atenção. E se perguntarem, Lairto você experimentou, fumou um beck? Não, não fumei, para tanto a discussão em volta daquele grupo me fez olhar e perceber que há algo a ser discutido e com frequência sobre a legalização da maconha.

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  2. O texto abaixo foi publicado
    no dia 28 de maio de 2013, no grupo do facebook do 36º ERESS em PERNAMBUCO, pelo estudante Soulfly Erick.


    FUMESS (Fórum de Usuários -e não usuários- do Movimento Estudantil em Serviço Social) Usuários de que? Substancias psicoativas.

    Pela emancipação dos corpos!

    Os discursos mais freqüentes da nossa sociedade fazem parecer ser muito
    simples entendermos que as “drogas” são o que há de pior no mundo. Apesar
    desta aparente simplicidade, este tema necessita de uma reflexão bastante elaborada para não cairmos em armadilhas argumentativas. Pensar
    criticamente a respeito do uso das “drogas” nos leva a encontrar problemas
    tanto na postura dos que são totalmente contrários quanto na postura dos
    que manifestam alguma permissividade.

    Primeiramente, não é interessante pensarmos que o uso das “drogas” é a
    conseqüência lógica de um único fator. Dificuldades individuais e
    contextos sociais problemáticos não são elementos suficientes para uma explicação causal. Nem simples busca pelo prazer, nem remédio
    psicoterapêutico. A “droga” é antes de tudo uma relação. Os efeitos e
    conseqüências por ela desencadeados não são o resultado mecânico de uma
    reação química em nosso corpo, eles vão variar de acordo, principalmente,
    com a pessoa, o contexto social, e também, claro, a própria substância.
    Usar “drogas” é escolher dentre tantas as possíveis criações do indivíduo, é
    escolher uma determinada maneira de viver, nem melhor nem pior que
    qualquer outra. E esta escolha não é a mesma para todas as pessoas, alguns
    usarão conservadoramente outros usarão libertariamente.

    Levando em conta tudo isto, é fundamental que as lutas no âmbito das
    “drogas” sejam feitas necessariamente em busca de uma sociabilidade
    emancipatória. E com isto entendemos uma sociabilidade não pautada no
    controle médico das “drogas”. Portanto a medicina e seu discurso (que é
    comumente visto como verdade) não devem gerir escolhas humanas que estão
    para além do alcance do conhecimento científico. Outra característica
    desta sociabilidade libertária é que ela não seja controlada pelo Estado.
    Lutar para que o uso de “drogas” seja simplesmente legalizado é lutar para que ele seja
    controlado por uma determinada forma dominante de conceber o mundo -não é descartar simplesmente uma regulamentação onde possamos plantar um pé de maconha, ou produzir a própria substancia a ser consumida, porem pensar nas conseqüências que pode se ter se esta regulamentação ou lei forem pensadas sob o controle estatal ou de mercados- Se a polícia e o judiciário tiverem total controle sobre o uso é inevitável que este vire mais uma prática mercadológica que gira em torno da lógica da disciplina. Esta disciplina mantém e define um determinado ordenamento social e é uma técnica de operação sobre os corpos de modo a obter um resultado
    concreto: a passividade perante a dominação.

    Lutemos, portanto, pela emancipação dos corpos e por uma luta
    indisciplinada em favor da emancipação das “drogas” ( Substancias Psicoativas). Lutemos pela autonomia de todxs para escolherem os parâmetros que guiarão nossos usos e desusos.

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  3. E eu que achei meu texto polêmico. Polêmico mesmo é o FUMESS.

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"O sucesso normalmente contempla aqueles que estão ocupados demais para procurar por ele"