sexta-feira, 8 de março de 2013

DE HOMEM PRA MULHER OU DE MACHO PRA MULHER?

08 de março de 2013, mais um ano de comemoração ao dia internacional da mulher. Mas que tipo de comemoração é essa que realizamos todos os anos? Simboliza o que?
Para muitos homens é momento de dá flores para as suas mulheres, que simboliza o amor que temos por elas, lindo – perfeito!

O gesto é bonito, no entanto a comemoração não está atrelada a um gesto amoroso, ao contrário data-se de uma terrível tragédia ocorrida em 1857 onde um grupo de operárias de uma fábrica de tecelagem norte americana reivindicava por melhores condições de trabalho e aumento de salário, sendo inferior ao dos homens, e as respostas às estas foi o tear de fogo da fábrica com elas dentro, porém tal homenagem é apresentada, apenas, no ano de 1910 onde se concedeu o 08 de março como dia internacional da mulher, mas somente no ano de 1975 é que a ONU (Organizações das Nações Unidas) decreta como data oficial do dia internacional da mulher.
208559_497486033646923_535005424_nUm século depois e estamos caminhando em terras que trata a mulher com honra e dignidade – honra e dignidade? Será?

Certamente que o contexto social é outro, um mundo globalizado onde todos somos partes essenciais dessas transformações. A cultura econômica se modernizou, mas cultura social ainda continua a viver entre passado, presente e futuro. Ora somos Machistas, ora amorosos, ora agressivos e muitos outros “ora” que somos na realidade atual da sociedade. A certeza que necessariamente não é tão absoluta, mas se encontra no contexto realista, é que somos “homens modernos conservadores”, ou seja, amamos as mulheres, mas elas devem nos amar mais – nós respeitamos, mas elas devem respeitar mais – tratamo-las de igual para igual, mas elas sempre serão inferiores a nós – consideramo-las inteligentes, mas nós somos mais, etc.

A data é um símbolo que representa o marco sócio histórico das lutas por direitos de um sexo que sempre foi e ainda é considerado como frágil.

A fragilidade é algo inerente à própria pessoa, depende do ambiente em que esta está inserida. E por mais que tentamos dizer dia após dia que a mulher conquistou muitos espaços na vida social e econômica da história, ainda assim, tratamo-las como seres inferiores, e se não for dessa forma, que sejamos agressivos, pois braçalmente falando somos mais forte que vocês. Pensar dessa maneira condiz com um machismo cotidiano existente na cultura sócio econômica da atualidade.

Para citar como exemplo de um tipo de machismo contemporâneo que não seja, apenas, a violência corporal contra mulher, têm os encantadores e espetaculares comerciais de automóveis e bebidas onde ambos reproduzem a construção de um estereótipo de pessoa transformado num ser mercadológico. Em outras palavras, se bebermos aquela marca de cerveja teremos várias mulheres ao nosso lado, se comprarmos aquele automóvel teremos várias mulheres ao nosso lado. E onde entra o machismo contemporâneo? Na realidade oposta a essa lógica ilusória, ou seja, quando não se consegue o desejado geralmente os homens tende a mudar seus aspectos sociais, por exemplo: “ela só tá saído com ele por causa do carro”, e quando conseguimos passamos a trata-las como inferiores, estando sobre as nossas ordens e nada mais.

Entre o homem e o machismo, o mercado de consumo trabalha com os dois, desde os homens das marcas de bebidas (como um ser supremo rodeado de mulheres submissas a ele) ao homem que compra flores no dia dos namorados.

A realidade é complexa e heterogênea, somos o livre-arbítrio das decisões, e entre a expansão da violência contra as mulheres no ano de 2012 (Mapa da Violência 2012 revela: mais de 43 mil mulheres assassinadas em dez anos no país) e a relação amorosa de reconhecimento das suas qualidades na contemporaneidade, convivemos na cotidiana guerra dos sexos de HOMEM PRA MULHER E DE MACHO PRA MULHER.

Por Lairto Vieira

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