terça-feira, 13 de novembro de 2012

O QUE A MÚSICA NOS DIZ?

imagesIncrivelmente ao fazermos analises sobre a real situação da sociedade da qual vivemos, procuramos ligeiramente tentar entender a dinamicidade dos fatos, não como algo que fica no abstrato e sim na realidade contínua, e esta continuidade diante do reflexo contemporâneo se observa gradualmente a perda do sentido lógico do respeito, da ética e da moral, afinal de contas são os sentidos compreensivos de entendimento comportamental do ser humano em sociedade.

Na onda reflexiva e limiar de interpretação do atual sistema societário, a música, se torna uma ferramenta fundamental de compreensão dessa dinâmica, entretanto é necessário atentar-se para as letras audaciosas dos compositores. No Brasil diversas bandas musicais, principalmente de rock, sabem perfeitamente dirigir no enredo de suas músicas algumas críticas, seja no refrão como algo implícito ou mesmo a música por inteiro de forma explicita, mas é preciso, repito que se perceba a letra, pois na sintonia dos arranjos musicais podemos não entender o real sentido que a música nos transmite, ou seja, conteúdos sobre política, economia, guerra, fome, meio ambiente, etc.

Para que possamos entender melhor, vejamos trechos das letras de duas musicas do rock brasileiro:

Ø Biquíni Cavadão – Zé Ninguém – “... eu não sou ministro, eu não sou magnata, eu sou do povo eu sou um Zé ninguém... aqui em baixo as leis são diferentes... quem foi que disse que dinheiro não traz felicidade, se tudo aqui acaba em samba no país da corda bamba...”.

Ø Engenheiros do Hawai – Terra de Gigantes – “... nessa terra de gigantes que trocam vidas por diamantes, a juventude é uma banda numa propaganda de refrigerante...”.

Observem que parte das letras retiradas dessas bandas nos transmitem algumas mensagens analógicas sobre o sentido compreensivo do movimento em sociedade de assuntos os mais diversos. Percebam que a música Zé Ninguém do Biquíni Cavadão permite compararmos a relação entre povo-governo-privado (empresa corporativa), possibilitando refletir sobre as leis brasileiras que nas legitimações diferencia o certo e o errado pendendo quase sempre para o “errado”, e no fim, tudo acaba em samba no país da corda bamba, ou seja, a mentira na maioria das vezes sobrepõe à verdade, basta ter $$. Já na música Terra de Gigantes do Engenheiros do Hawai, nos mostra explicitamente como funciona o atual sistema, capitalismo. Nessa terra de gigantes, a luta pela a sobrevivência não há espaço para pequenos, ou seja, ou você é bom ou será eliminado, como um processo classificatório. Neste sistema a luxuosidade de uns é pauperização de outros, em outras palavras, a riqueza para poucos é a pobreza de muitos da qual trocam vidas por diamantes. E no caso da juventude, podemos interpretar de várias formas, mas os leitores jovens que chegaram até aqui, façam suas interpretações, sejam críticos, investigadores, mais que isso seja questionadores.

Aportando-se dessas palavras, atentamos ao conteúdo das letras musicais, façamos das músicas um instrumento de estudo, um meio pelo qual possamos nos interagir entre a melodia sonora e a nossa consciência crítica que na maioria das vezes se encontra inconsciente capturando, apenas, o som dos instrumentos. A música nos permite uma rápida viagem entre o real e o abstrato, nos leva ao centro do “universo” particular das imaginações, uma onda de sinais transmitida ao cérebro que nos conectam as ideias, que por sua vez nos proporciona fazermos coisas que nem mesmo pensávamos fazer. A música para muitos é uma ferramenta que ativa o cérebro possibilitando-as escrever textos, artigos, colunas em jornais, e até mesmo tranquilizar o corpo de um dia estressante de trabalho.

Portanto, nos refletiremos para além dos instrumentos, nos transcenderemos para as palavras, as escritas, o vão de ações que nos remete o capturar da dinâmica societária.

Lairto Vieira Silva [1]


[1] Estudante do 6º semestre do curso de Serviço Social pela a Faculdade Leão Sampaio, Juazeiro do Norte, Ceará.

2 comentários :

  1. Essa parte, "que trocam vidas por diamantes" ? é uma crítica ao captalismo ?
    até onde eu sei o captalismo não é culpado pela pobreza dos demais...

    ResponderExcluir
  2. Então, acabei refletindo um pouco aqui sobre essa parte, "terra de gigantes", na verdade não é uma crítica ao captalismo, e sim as pessoas, que buscam cada vez mais dinheiro e acabam esquecendo de viver, meu pai é um grande exemplo disso, trabalha praticamente 24 horas por dia e não sai da sua rotina de trabalho, não curte a vida, não sai com a família, e se dedica 100% ao trabalho apenas, trocando sua vida por riquezas que não irão servir de nada...

    ResponderExcluir

"O sucesso normalmente contempla aqueles que estão ocupados demais para procurar por ele"