terça-feira, 15 de novembro de 2011

OS 104 ANOS DA ESTAÇÃO DE PIQUET CARNEIRO

piquet9301Nossa velha estação ferroviária está completando 104 anos neste dia 15 de novembro de 2011.

Sua inauguração, no dia 15 de novembro de 1907, "mereceu até uma nota do jornal O Estado de S. Paulo de 16/11/1907, da distante São Paulo, talvez por ser, então, ponta de linha - condição que manteve até meados do ano seguinte", conforme no-lo atesta o notável memorialista e dono do melhor site sobre ferrovias do Brasil, Ralph Mennucci Giesbrecht.

Devo dizer que sou um dos seguidores do site do Sr. Ralph, com quem, por sinal,  já me foi dado manter  alguns contatos, visto que,  sempre que  oportuno, envio para ele minhas pesquisas no campo do estudo da ferrovia cearense.  E Ralph, de pronto, publica,  ou faz referência,  a meus textos.

A propósito, veja-se: http://www.estacoesferroviarias.com.br/ce_crato/piquet.htm

Pois bem: A ESTAÇÃO DE PIQUET CARNEIRO CHEGA À MARCA DOS 104 ANOS!

Pelo que sei, está bem avançada a luta que o Prefeito Expedito José do Nascimento vem travando, por meio de seus abalizados assessores, em ordem a que o vetusto prédio, uma vez adquirido, torne-se alvo - é o que todos desejamos - da reforma que, de há muito, carece.

Aproveito o ensejo para reeditar uma crônica,  que preparei, em junho de 2009, para uma das primeiras edições do Informe, cujo tema se relaciona com o histórico prédio da mais que centenária estação de Piquet Carneiro.


"NOSSA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA

O surgimento da povoação de Jirau (nome com que Piquet Carneiro ficou reconhecido até fins de 1938) tem a ver, diretamente, com a construção da antiga Estrada de Ferro de Baturiré - EFB.

Com efeito, quando os trabalhos de assentamento da malha ferroviária em tela alcançaram Piquet Carneiro, a contagem do tempo registrava o ano de 1907, e, na data simbólica de 15 de novembro (Dia da Proclamação da República) era, então, inaugurada, nossa estação ferroviária.

Eis, pois, um prédio, que faz parte do patrimônio histórico-cultural de nossa terra, e que, precisa ser "observado de perto", por parte das autoridades locais, no que diz respeito à sua preservação e consequente conservação, visto desfrutar, no curso do tempo, de uma longa vida já: mais de um século de existência!

Aliás, o centenário de nossa vetusta estação (marco, ela, como já o falamos, do aparecimento de Piquet Carneiro no mapa da geografia sertaneja) só não passou, de todo, despercebido, no ano de 2007, graças, modéstia à parte, a um artigo meu, que veio à luz nas páginas do Folha do Sertão. Do contrário...

piquet0091Ao ler este meu artigo, sei, muito bem, que muitos podem estar se perguntando: e qual a razão para uma preocupação tal, isto é, com um prédio que, a falar a verdade, nem pertence, diretamente, à municipalidade, mas a uma empresa já extinta: a Rede Ferroviária Federal S/A!?

Respondo: para os que têm o sentido da História, essa preocupação tem, sim, sua razão de ser, porque o prédio de nossa estação esconde, nas suas paredes mais que centenárias, nem tanto um traçado arquitetônico digno de nota, mas, sim, todo um conjunto de ações, que, de resto, é reflexo da expressão de vida de um povo, do nosso povo, de todos nós: o momento do embarque e do desembarque de tantos parentes e amigos (talvez, até, quiçá, num gesto de derradeiro "adeus"!); o toque do sino; o apito do trem; a maria-fumaça (depois, paulatinamente, substituída por máquinas mais potentes e sofisticadas, movidas à diesel); a venda de cafés, bolos e tapiocas; o intercâmbio cultural (através da compra de revistas e jornais); o toc-toc do telégrafo (primeiro instrumento de comunicação usado em Piquet Carneiro), etc.

Tudo isso se passava, claro, à beira da linha do trem, à sombra da velha estação, e "está gravado na nossa memória", como diz o saudoso Prof. José Augusto Tôrres na letra, que compôs, do Hino do nosso Município.

Verdade é que a comumente chamada "passagem do trem" era um dos grandes entretenimentos de toda uma geração de pessoas, e assim o foi, desde aquele longínquo 15 de novembro de 1907, no exato momento em que a estação daqui foi, festiva e solenemente inaugurada, até o dia 12 de dezembro de 1988, quando, sob o prefixo SGF 0123, conduzido pela locomotiva GE-U-10B nº 2210-4B, saiu, às 17:05h, da Estação Prof. João Felipe (Central - em Fortaleza), o "último" trem de passageiros com destino ao Crato.

Mister, portanto, faz-se, que a Prefeitura Municipal de Piquet Carneiro retome, e apresse, o diálogo com os responsáveis pela venda da antiga estação ferroviária (diálogo esse iniciado na gestão precedente, mas sem resultados práticos!), e busque, uma vez adquirido o edifício, transformá-lo, quanto antes, num digno espaço de preservação da nossa identidade cultural. É possível? Certamente que sim!

Colocando o "ponto final"  desta crônica, sugeriria  aos "apaixonados"  por trens, como o autor deste texto, a leitura de, ao menos,  dois livros, sobre eles, cujos títulos passo a elencar: "ESTRADAS DE FERRO NO CEARÁ", de Francisco de Assis Silva de Lima e José Hamilton Ferreira, Fortaleza, 2007; e HISTÓRIAS DA MARIA-FUMAÇA, inspirada seleção de crônicas, de minha amiga e escritora, Profa. Perpétua Moreira,  residente em nossa cidade.

Osmar Lucena Filho

Professor e Historiador"

Um comentário :

  1. o nosso município tem historia e não pode ser esquecida,parabéns pelo excelente trabalho.

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"O sucesso normalmente contempla aqueles que estão ocupados demais para procurar por ele"