quarta-feira, 9 de março de 2011

Pelos Caminhos da História Personalidades Históricas - Nomes de Ruas, Praças, etc (10)

QUEM FOI DOM ANTÔNIO DE ALMEIDA LUSTOSA?
(Nome da Praça localizada na Rua Zacarias Pinheiro da Silva, de frente à Escola de Ensino Fundamental Azarias Fernandes)
Dom Antônio Lustosa  (*1886 +1974) figura, como estrela de primeira grandeza,  no elenco das personalidades por  cujos nomes   acham-se “batizados”  nossos logradouros públicos.  Uma homenagem mais que justa:  ele foi o bispo que criou a Paróquia de Piquet Carneiro, no dia 25 de janeiro de 1948, e, por conseguinte, nomeou o primeiro vigário desta, Pe. Antônio Pinheiro Freire (*1921 +1996), o qual, conduzido em transporte ferroviário, aqui desembarcou, na manhã de 15 de fevereiro do mesmo 1948, havendo sido,  festiva e brilhantemente,  bem recepcionado, pelos filhos desta  terra.
Antes, e por longos anos,  Dom Lustosa imprestara seu nome a uma de nossas principais ruas;  mas,  em meados da década de 1990,  passa a identificar uma “praça”. Esta, deteriorada, veio a ser,  em 2010,  totalmente  demolida, cedendo espaço a uma “nova”,  de  “roupagem”  bela e atraente,  como a que lhe deu o atual Governo do Município. O novo “espaço do povo”,  felizmente, manteve, como identificação,  o nome de Dom  Antônio Lustosa...

TRAÇOS BIOGRÁFICOS DE DOM LUSTOSA
    Mineiro de São João del-Rel, Antônio Lustosa nasceu em 11.02.1886. Em 29.01.1905 ingressa na congregação salesiana, fundada por São João Bosco. No dia 28.01.1912, Dom Epaminondas Nunes d´Ávila e Silva, bispo de Taubaté-SP, confere-lhe a sacra ordem do presbiterato, tornando-o, assim, “sacerdos in aeternum” (sacerdote para sempre). No âmbito de sua Congregação, desincumbiu-se das tarefas de mestre  noviços, diretor e vigário.

1924/1925: ELEIÇÃO E SAGRAÇÃO EPISCOPAL
    No dia 4.07.1924, ouvindo a “Voz de Deus, na Voz do Papa”, o Pe. Lustosa aceita a nomeação,  que Pio XI lhe faz, para  Bispo de Corumbá-MS. A ordenação episcopal acontece em sua terra natal, no dia 11 de fevereiro do Ano Santo de 1925.

BRASÃO DE ARMAS: SUM UMBRA ALARUM TUARUM

    No estudo das armas episcopais de Dom Lustosa, podemos divisar estes elementos: o  Coração de Jesus, a Basílica de São Pedro, o Rio Amazonas e a Ilha de Marajó, envoltos num par de asas.  Já seu lema de bispo era constituído destas  latinas expressões :  SUB UMBRA ALARUM TUARUM, ou seja: SOB A SOMBRA DE TUAS ASAS. Trata-se de uma frase inspirada no Salmo 17, que reza: “GUARDA-ME COMO A PUPILA DOS OLHOS, ESCONDE-ME À SOMBRA DE TUAS ASAS, LONGE DOS ÍMPIOS QUE ME OPRIMEM, DOS INIMIGOS MORTAIS QUE ME CERCAM”.

1931 – ARCEBISPO DE BELÉM DO PARÁ
    O mesmo Pontífice que o chamou ao episcopado, Pio XI, transfere Dom Lustosa,  em 10.07.1931, de Corumbá, no Mato Grosso,  para a sede arquiepiscopal de Belém do Pará.  Naquelas  verdejantes paragens da região amazônica, Dom Antônio permanecerá por uma década: de 1931 a 1941.

1941 – ARCEBISPO DE FORTALEZA
    Uma decisão, agora do Papa Pio XII, tomada em 19.07.1941, nomeia Dom Antônio para o arcebispado de Fortaleza-Ce, em cuja Sé Catedral ele adentra no dia 5 de novembro de 1941, sucedendo a Dom Manoel da Silva Gomes.

1948 – DOM LUSTOSA CRIA A PARÓQUIA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, DE PIQUET CARNEIRO
    É como arcebispo metropolitano de Fortaleza que, mediante o Decreto 44, subscrito em 25.01.1948,  dom Antônio cria a Paróquia de Piquet Carneiro, desmembrada da área territorial  de Senador Pompeu.

1952 – MEMBRO-FUNDADOR DA CNBB, E CO-FUNDADOR DO INSTITUTO JOSEFINO
Dom Lustosa participou efetivamente da fundação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. Foi também co-fundador do Instituto Josefino.

DOM LUSTOSA: O ESCRITOR, O INTELECTUAL, O MEMBRO DO INSTITUTO DO CEARÁ
    Intelectual e exímio escritor, Dom Antônio ilustrou  o Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará, na qualidade de sócio efetivo.   De sua autoria, brotaram inspiradíssimos textos, redigidos com elegância,   cuja apetitosa leitura pode ser apreciada nas páginas destas obras: NO ESTUÁRIO AMAZÔNICO (À MARGEM DA VISITA PASTORAL) ,  TERRA MARTIRIZADA, ABRAÇANDO A CRUZ, SOLILÓQUIOS AOS PÉS DO SACRÁRIO, PRECE AO PÔR-DO-SOL,  NOTAS A LAPIS, NO MUNDO INFANTIL, NAS ENTRELINHAS DO EVANGELHO, SENHOR: FAZEI QUE EU VEJA, etc. Por sinal, no livro NOTAS A LÁPIS, Dom Lustosa  faz referência a Piquet Carneiro,  cujo solo pisou, por duas vezes: em 1944 e 1949.

1963 – A RENÚNCIA AO CARGO DE ARCEBISPO DE FORTALEZA
    Coube ao Papa João XXIII, em 16.02.1963,  aquiescer ao pedido de renúncia, que lhe fez Dom  Antônio Lustosa, em relação ao múnus que exercia, de arcebispo metropolitano da capital cearense.

1974 -  A MORTE E AS SOLENES EXÉQUIAS
    Em 1974, Dom Lustosa contava, então, com a veneranda idade de 88 anos, quando, em 14 de agosto,  a morte lhe veio ao encontro. Ele residia na Casa Salesiana de Carpina, PE, para onde se dirigira após haver renunciado ao cargo de arcebispo de Fortaleza.
    Após a Missa de Requiem, o corpo de dom Lustosa foi sepultado na cripta da Catedral de Fortaleza, onde repousa ao lado do de seu predecessor, Dom Manuel da Silva Gomes (+ 1950). Um grande epitáfio, escrito em latim, evoca-lhe a memória,  e pede orações em sufrágio de sua alma.
    Ali também jazem,  à espera da “resurrectionem mortuorum” (ressurreição dos mortos) ,  os “ossa et  cinerum”  (ossos e cinzas)  destes clérigos: Dom José Terceiro, Dom Raimundo de Castro e Silva (+ 1991), Mons. José Alves Quinderé (+ 1960)  e Mons. Tito Guedes Cavalcante, pessoas que desfrutaram da amizade de Dom Antônio, e a cujo lado trabalharam.

DOM  ANTÔNIO LUSTOSA – O SANTO
    É voz geral (Vox populi, Vox Dei)  afirmar que Dom Lustosa irradiava santidade, pela vida simples e austera que levava, submetendo-se a constantes jejuns e penitências. Mas foi também o Pastor solícito, exercendo a prática da caridade para com os pobres. Tinha, diz-se,  por hábito,  escrever   “de pé”.
    A respeito da santidade de Dom Lustosa, ouçamos uma voz autorizada a falar dela -  a do Papa João Paulo II,  num trecho do discurso,  que fez aos bispos do Brasil, em Fortaleza, no dia 10.07.1980: “Como não lembrar aqui,  em Fortaleza,  a  figura admirável de Dom Antônio de Almeida Lustosa,  que repousa nesta Catedral,  e que deixou, nesta Arquidiocese,  a imagem de um sábio e de um santo.”

NO  LIVRO DE TOMBO DE NOSSA PAROQUIA, UMA RELÍQUIA
    O Livro de Tombo da Paróquia local, que conserva a crônica de nossa história eclesiástica, guarda uma relíquia preciosa: um texto, redigido e lavrado, de próprio punho, por Dom Lustosa. Trata-se da ATA DA VISITA PASTORAL, que dom Antônio fez a Piquet Carneiro,  de que apresento aos nossos leitores estas passagens, com que encerro este artigo: “Pela primeira vez visito esta paróquia, já por mim visitada antes de sua ereção canônica. Acompanharam-me o Revmo. Frei Misócles, OC, e o Revmo. Pe. Francisco Landim. Ao chegar a esta sede – Piquet Carneiro -  tivemos brilhante recepção, organizada pelo revmo. Vigário, Pe. Antônio Pinheiro Freire. (...) Estive presente à reunião das Associações Pias, que se acham bem animadas. Dei a absolvição aos mortos,  no cemitério. O movimento religioso nestes dias da Visita Pastoral foi bem consolador. Piquet Carneiro promete ser muito boa Paróquia, pois há boa vontade geral.” (...) Piquet Carneiro, 5 de julho de 1949. + Antônio, Arcebispo de Fortaleza.

Cf. Livro de Tombo da Paróquia de Piquet Carneiro – TOMO I (1948-2006); Site da Arquidiocese de Fortaleza (acessado em 21.02.2011).
Por Prof. Osmar Lucena Filho

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