quarta-feira, 9 de março de 2011

Eu sou babaca

    Vimos nestes últimos dias acidentes de transito que claramente tinham motivação na intolerância, em Porto Alegre, por impaciência, um motorista atropelou ciclistas que faziam uma bicicletada. A reação do motorista, que certamente foi chamado de “maluco”, é o pus de uma ferida há muito tempo aberta no Brasil. Somos criados com objetivos claros de sermos melhores, e mais, nos habituados a acreditar que de fato não somos iguais. Não importa quão sábio você seja, se não tiver PHD, ou ser um líder religioso, você não vale nada.

     “Os outros são invisíveis no Brasil. Você não é treinado em casa nem nas escolas para ver o outro como colega, como um sujeito que tem os mesmos direitos de usufruir o espaço de todos. Para nós, é o contrário: o espaço de todos pertence a quem ocupar este espaço primeiro, com mais agressividade. Quem obedece, quem segue lei no Brasil, é babaca, idiota.” – analisa o antropólogo Roberto Da Matta, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

    Ouvi uma estória esses dias que sintetiza bem tudo isso. Um suíço e um Brasileiro passam a ir ao trabalho juntos, com o suíço dirigindo o carro. Quando chegam cedo ao trabalho, o suíço sempre estaciona longe do prédio. Já um pouco indignado de sempre ter de andar para chegar ao trabalho, o brasileiro pergunta “Por que você não estaciona mais perto do prédio, já que tem vagas?”. O Suíço responde achando a pergunta completamente descabida “Não é mais lógico pararmos distante já que temos tempo? Para quem chegar atrasado estacione nas vagas próximas, para não precisar andar tanto e se atrasar mais.”

Dênison Ferreira Vieira

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"O sucesso normalmente contempla aqueles que estão ocupados demais para procurar por ele"