sábado, 5 de fevereiro de 2011

IN MEMORIAM - PAULO GOMES FERREIRA (PEPÉ)

    * 10.04. 1916  + 15.01.2011                                                     por Osmar Lucena Filho

     Com o falecimento, em 15 de janeiro último, do senhor Paulo Gomes Ferreira, o Pepé, o município de Piquet Carneiro viu-se privado de um cidadão que, pela longevidade alcançada ( foram  quase 95 anos! ) tornou-se, no correr do tempo, um de nossos melhores interlocutores,  quando o assunto a ser  tratado era,  por exemplo,  as origens piquet carneirenses.

    Disso, sou testemunhar ocular,  porque o tive,  não poucas vezes, como precioso  "auxiliar",  nas informações de que necessitei,  para ampliar meus trabalhos no campo da pesquisa histórico-documental de Piquet Carneiro.  Não seria exagero afirmar que ele se tornou uma espécie de  "co-autor",  de parte de minhas crônicas, acerca de nossa cidade.

    Dos pretéritos tempos da Vila de Jirau,   estão a nos falar pouquíssimas fontes históricas, das quais destacaria as ATAS DO CENTRO DO APOSTOLADO DA ORAÇÃO, e,  assim mesmo, só a partir de 1938. No mais, é apelar para a oralidade, mediante conversações mantidas com os mais "experientes"  do meio em que vivemos. Sobretudo com aqueles que se sentem felizes e realizados,  quando chamados a dar um depoimento.

    Neste particular, o recém pranteado Pepé é exemplo a ser seguido, de perto,  por todos : ele gostava de narrar as histórias do passado da cidade que o acolheu ainda criança.

    Assim, de muita serventia me valeram os prontos esclarecimentos que ele me fez sobre a construção de edifícios históricos aqui de Piquet Carneiro,  tais como a igreja matriz do Sagrado Coração de Jesus  (trabalho liderado pelo Pe. Freire, o 1º vigário,  entre 1948-51);   a sede do Círculo Operário (cujas obras se arrastaram por longos três anos: 1950-52);  o monumento sepulcral do Pe. João Epifânio de Freitas Guimarães (construído no cemitério local no ano de 1950);  a ampliação da estação ferroviária (no ano de 1951), e a construção do mercado público (por volta do biênio 1959/60).

    A  lembrar a época em que o progresso chegava a Piquet Carneiro pelo "apito" do trem, falava-me Paulo sobre os antigos agentes ferroviários, que passaram em nossa cidade.  Na lista de sua recordação, afloravam nomes como os de João Lutgard (década de 1930), Enemias Fernandes (anos 1940), Sinhorzinho Moreira, Clicério, Francisco Chagas Vale,  entre outros.

    Chegando a estas paragens do Sertão Central no começo da década de 1920,  não lhe passou despercebida  a construção dos primeiros núcleos habitacionais,   que se iam firmando ao redor do leito ferroviário, de que a Casa do Feitor – felizmente ainda de pé! – é exemplo incontestável, datando sua construção, segundo ele mesmo me informou,  do ano de 1928.

    Na verdade, atravessando quase um século de plena existência, "Pepé"  viu o Jirau de outrora se metamorfosear no Piquet Carneiro de hoje.    Acompanhou,  portanto, a evolução dos tempos.

ETAPAS DE UMA EXISTÊNCIA
    São estes os dados biográficos do nosso postumamente homenageado Paulo Gomes Ferreira: ele nasceu em 10 de abril de 1916, na localidade conhecida por Serra de São Pedro, área geográfica da região caririense, hoje pertencente ao município de Caririaçu. Mas,  já aos quatro anos, pisava, em 1920, o solo destes sertõesl, adentrando o Piquet-Jirau.

    Vieira na companhia de seus genitores: Antônio Vicente (falecido, em Piquet Carneiro, aos 82 anos, em 28 de julho de 1966) e Maria Gomes Ferreira.

    Em 1940, Paulo contrai matrimônio com  Margarida Alves (minha tia) , de cuja união nasceram 18 filhos; dos sete que sobreviveram,  advieram-lhe 17 netos. Sua árvore genealógica se multiplicou com o advento de 26 bisnetos e 5 tataranetos.

    Como se não lhe bastassem os muitos filhos que gerou, ainda adotou dois netos como "filhos": Angela Oliveira (educadora) e  Anastácio Ferreira (sacerdote).

    No desvelo que teve para com a família, a fim de que a esta não faltasse o pão de cada dia, Paulo  desempenhou funções, as mais diversas,   como  as de pedreiro, marchante e  comerciante.

    Enfrentou, com a fortaleza típica do nordestino,  a dureza dos anos marcados pelas grandes estiagem, como as secas de 1932, 1951, 1958, 1970.

    Viu a ascensão, e também a queda, de muitos que fizeram a Política local.

    Homem de convicções religiosas muito fortes,  ele jamais abandonou a prática de alimentar a sua Fé, na escuta da Palavra de Deus (acompanhando as missas televisionadas), na reza do Terço (Mãe Rainha) e, mais que tudo,  no alimentar-se com o Pão dos Fortes, mediante a Santa Eucaristia, sacramento que ele recebia,  com muita unção, das mãos  de algum sacerdote e/ou de  algum ministro extraordinário da distribuição eucarística que o visitava.

    Como convinha a quem era dotado de caráter manso e pacifista, Paulo Gomes partiu,  serenamente,   numa manhã de sábado,  ao encontro do Criador.  Era 15 de janeiro de 2011.

"Ele está em paz!" (Livro da Sabedoria).

Nenhum comentário :

Postar um comentário

"O sucesso normalmente contempla aqueles que estão ocupados demais para procurar por ele"