terça-feira, 9 de novembro de 2010

Personalidades Históricas - Nomes de Ruas, Praças, etc (6)

imageQUEM FOI MARIA JOSÉ DE JESUS AIRES?
(* 29.12.1934 + 22.12.1983)
(NOME DADO À BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL)
DEZEMBRO DE 1983: UM TRISTE FINAL DE ANO LETIVO!
      Para o Setor Educacional de Piquet Carneiro, o final do Ano Letivo de 1983  soou bastante soturno, vazio e melancólico, em decorrência do falecimento da professora Maria José de Jesus Aires, transcorrido, em Fortaleza,  na manhã de uma quinta-feira,  22 de dezembro.
A triste notícia transformou a aurora daquele dia em momentos de pesar e de dor, que se prolongariam, no decurso das horas subseqüentes, chegando a “empanar” , inclusive,  o brilho das festividades do Natal,  já tão próximo.
     Autor deste artigo, tive o mérito de haver sido um de seus alunos, lá nas alturas da Escola Mal. Castelo Branco, entre 1980 e 1983, quando estudante do Ensino Fundamental, o que me credencia, modestia à parte, a falar “ex cathedra” (de trono), da nossa saudosa mestra.
NASCIMENTO E VIDA ESCOLAR
    Descendente de tradicional família (Aires),  Maria José de Jesus  (um nome que lembra o da Sagrada Família de Nazaré!) nasceu em Piquet Carneiro,  em 29 de dezembro de 1934, sendo filha de José Aires da Silva e Maria Aires.
    Desde cedo, revelou talento e inteligência para os estudos, dedicando-se, com afinco, ao conhecimento do idioma pátrio, disciplina da qual se tornaria  “mestra” das mais abalizadas que nossa Piquet Carneiro já conheceu.
    Em dezembro de 1965, Jesus Aires terminava o curso Ginasial, no então Centro Educacional Sagrado Coração de Jesus, dirigido, na época, pelo 3º vigário de Piquet Carneiro, o Revmo. Pe. Francisco Alves Teixeira.
    Revendo sua “ficha estudantil”, não constitui tarefa difícil notar suas ascendência, em relação,  é natural,  a seus pares, como a aluna que mais se distinguia nas avaliações, galgando, sempre, as melhores notas, em todas as disciplinas.
    Foi por isto, certamente, que,  em março de1966, o novo vigário de nossa terra, Pe. Agostinho Paulino de Melo,  confiou aos cuidados de Jesus Aires  a condução da matéria de língua portuguesa, junto dos estudantes do Ginásio Coração de Jesus.
CURSISTA DA  “CADES”
     Profissional competente e dedicada, que foi  Maria José de Jesus, ela não se contentou, apenas, com o ensino fundamental; e, desta forma, resolveu  ingressar no Curso  “CADES”, mantido pelo Ministério da Educação e Cultura, nas décadas de 1950 e 1960,  cujo conteúdo  preparava o professor para lecionar no ensino médio (na prática, o que, hoje, equivale aos cursos de licenciatura).
NO CENTRO EDUCACIONAL SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
    Senão por um curto tempo ( algo,  aí,  por volta de 1982)  “dona” Jesus  (pois, assim, era  tratada, carinhosamente,  pelos seus alunos)  quase não se ausentou do Ginásio Sagrado Coração de Jesus, em cujo estabelecimento de ensino havia  terminado, em 1965, o 1º grau (ensino fundamental).
    Com efeito,  de 1966 até 1983 (ano de sua morte) ela compôs o Corpo Docente do velho ginásio,  fundado pelo Pe. Teixeira,  e, nele,  soube se destacar, ao lado de outros mestres, igualmente comprometidos com a qualidade do ensino em Piquet Carneiro, tais como:   Pe. Agostinho, Jarina Dantas, Francisca de Morais, Lauzimar Nogueira, João Eudes Lucena, Odete Gomes, Agenor Bezerra, Zenilde, Zulena,  Dr. Alfredo Franco,  Luiz Viana, entre outros.
NA ESCOLA MARECHAL CASTELO BRANCO
    Corria o mês de agosto de 1978, quando a Escola Castelo Branco abria suas portas para acolher aqueles que, pelo mesmo fato, se tornariam seus primeiros alunos, oriundos estes da Escola Azarias Fernandes. Observe-se que, somente em 9.03.1979, por Decreto do então Governador Waldemar Alcântara, é que  a Castelo seria “legalmente” instituída.
    Na ocasião, a escola  Mal. Castelo Branco passou a oferecer o ensino fundamental, mas só da 1ª à 5ª série.  Então, por convite da Profa. Maria Tarcília Monteiro de Sales, 1ª diretora da Marechal, dona Jesus associou-se também ao Corpo Docente da “nova” escola, em que permaneceria de 1978 a 1983.
PRIMEIRA PROFESSORA DE PORTUGUÊS,  NO ENSINO MÉDIO EM PIQUET CARNEIRO
    Jesus Aires detém mais um “título de honra”, na História da Educação deste município: ela foi a 1ª professora de português, do ensino de 2º grau (Médio) em nossa terra. Um curso que muito deve, e poucos o sabem, à ação de três educadores e  um prefeito: João Eudes Lucena, Maria Tarcília Sales, José Augusto Tôrres (in memoriam) e Juremir Martins da Costa.  Era 1979. Nascia o Curso Técnico em Contabilidade, que tantas gerações de estudante formou em nossa terra, entre 1981 (ano da 1ª turma) até 1997 (quando foi extinto).
A MORTE  PREMATURA, AOS 48 ANOS, EM 22 DE DEZEMBRO DE 1983:
    22 de dezembro de 1983.  Problemas cardíacos retiram a Profa. Jesus Aires do “cenário deste mundo”, aos “quase” 49 anos de idade.
Há alguns dias, li, via internet, belo e inspirado artigo, escrito pelo atual abade de Olinda, Dom Felipe da Silva, OSB, sobre a morte de um monge daquele Mosteiro, Dom Gerardo Wanderley. Permitam-me atestar que conheço o abade,  e conheci também o monge, agora defunto, que partiu “de improviso”.  Na sua crônica, Dom Felipe chama-nos a atenção para o mistério da Morte “que desfaz planos, frustra sonhos, interrompe amizades, estabelece separação, inaugura uma delicada saudade”. (...) O homem contemporâneo explica tudo, conhece muito, sabe uma infinidade de coisas. Diante, porém, do mistério da morte, ele se curva e se rende, ainda se surpreende e por vezes se desespera, pois não consegue compreendê-la, não consegue desmarcar esta visita que chega em hora não combinada.”
    E fala o religioso, sobre a vida depois da morte,  nestes termos: “ Ele (dom Gerardo) vive na glória do Pai, ressuscitado para uma vida nova, pois viveu procurando a Deus e acreditando em Jesus Cristo, a quem se consagrou como monge e sacerdote.”
    Estou convencido de que o final desta transcrição (que fiz do texto do abade) se ajusta, feita a devida adaptação, à memória da Profa. Jesus Aires, porque ela também viveu na procura de Deus, acreditando na Palavra de seu Filho, a quem consagrou a vida, não como religiosa, mas no árduo exercício da atividade magisterial, verdadeiroSACERDÓCIO, pelo que isso exige de amor, de paciência, de coragem e de entrega total...
A HOMENAGEM PÓSTUMA
    Em 1993, quando eu estava à testa do Departamento de Cultura, do Gov. Municipal, sugeri o nome da Professora Jesus Aires  para identificar a nossa municipal biblioteca, hoje tão bem instalada, zelada, e coordenada, em sede própria,  pelos que lá auxiliam o prefeito na administração dos bens culturais de Piquet Carneiro.
UM EPITÁFIO PARA SEU TÚMULO
    Jesus Aires foi sepultada na manhã de 23 de dezembro. Alunos e colegas de magistério acorreram em massa ao cemitério local para darem-lhe o último adeus. Discursos. Flores na despedida.
    No livro de Daniel, no 3º versículo do capítulo 12,  encontramos esta  passagem, aqui traduzida na “linguagem de hoje”:  “Os mestres sábios, aqueles que ensinaram muitas pessoas a fazer o que é certo ,  brilharão como as estrelas do céu, com um brilho que nunca se apagará.”
É o epitáfio  que imaginei para  “dona Jesus”...

Por Osmar Lucena Filho

Nenhum comentário :

Postar um comentário

"O sucesso normalmente contempla aqueles que estão ocupados demais para procurar por ele"