terça-feira, 2 de março de 2010

Construção do Estaleiro do Ceará está em Xeque

OLYMPUS DIGITAL CAMERA           A construção de um estaleiro na Praia do Titanzinho, na capital cearense, está causando muita polêmica. O Governador Cid Gomes defende os benefícios que esse empreendimento pode atrair para o Estado, mas ainda há líderes da comunidade que se manifestam contra e também a própria Prefeita Luizianne Lins não é a favor da proposta. Se esse impasse não for resolvido logo, o Ceará poderá perder o estaleiro para outro estado, entre eles o Rio de Janeiro, que já conta com um.

Para esclarecer as polêmicas que envolvem esse projeto, o gerAção entrevistou o líder do Governo na Assembléia Legislativa, Deputado Estadual Nelson Martins (PT).

De acordo com Nelson Martins o Brasil produz apenas 1% da indústria naval mundial, obrigando-se a importar de outros países a matéria prima quando é preciso fazer equipamentos dessa natureza. O Presidente Lula então decidiu que vai passar a construir no Brasil esses equipamentos, que é também uma maneira de gerar emprego e renda.

Com uma encomenda inicial de 8 grandes navios o estaleiro irá atrair para o Ceará várias empresas petroquímicas, o que irá movimentar a economia do Estado, que hoje representa apenas 2% do PIB do Brasil.

“Para que o Estado do Ceará possa garantir melhores condições de vida, políticas públicas como saúde, educação, segurança, emprego, nós temos que fazer com que a nossa economia cresça, pois assim o Estado vai gerar mais empregos, gerando mais empregos aumenta a arrecadação de impostos, o que possibilita aplicar em qualquer região do Estado”, afirma Nelson Martins.

O estaleiro tem um papel estratégico no desenvolvimento do país que descobriu recentemente uma enorme riqueza na camada do Pré-sal, que totaliza aproximadamente 14 bi de barris de petróleo, podendo chegar a uma riqueza bruta de U$$ 14 trilhões de dólares, quase dez vezes o atual PIB do Brasil. Para transportar essa riqueza serão necessários muitos navios, o que atesta a importância desse empreendimento.

A proposta já foi levada a discussão na Assembléia Legislativa, na Câmara de Vereadores, na FIEC, associações da comunidade, entre muitas outras importantes instituições. A Prefeita Luizianne Lins deverá reunir-se com o Governador em breve para definir sua posição.

Para ouvir e acolher as ânsias da população será realizada no dia 04/03 uma audiência pública na Assembléia Legislativa. “O estaleiro só será construído lá no Titanzinho se houver a concordância da comunidade”, admite Nelson.

Porque não construir o estaleiro em outro lugar?

De acordo com estudos técnicos apresentados pela empresa que venceu a concorrência virtual, a Praia do Titanzinho é a única que permite técnica e financeiramente a construção do estaleiro.

Para construir no Porto do Pecém, por exemplo, seria necessário um investimento de um bilhão de reais, enquanto que no Titanzinho esse valor cai para R$ 200 milhões, ou seja 1/5 do valor.

A orla marítima do Ceará é muito rasa, o que impede a construção do estaleiro em qualquer lugar, sendo que no Titanzinho encontram-se todas as características adequadas à realização das obras.

Polêmicas

zceaaraExistem questionamentos relativos a problemas como meio ambiente, desapropriações, mobilidade urbana, a prática do surf, além de constar no Plano Diretor da Prefeitura um projeto de revitalização daquela área para o turismo, e ainda há suposições de que a mesma encontra-se em uma das manchas da ZEIS – Zona Especial de Interesse Social.

Com relação ao meio ambiente, Nelson Martins nos esclarece que já existe um projeto de ampliação do Porto do Mucuripe que foi licenciado pelo IBAMA em 1995, que avaliou os problemas decorrentes da obra como sendo facilmente contornáveis; acreditando que um porto implica muito mais problemas que um estaleiro, levando-se em consideração a movimentação, o Governo vai pedir a atualização dessa licença, de modo a cumprir a exigência de não ferir o meio ambiente.

Os surfistas não precisarão se privar da prática desse esporte, pois a instalação do estaleiro não irá afetar a formação de ondas, e haverá margens em ambos os lados, onde os mesmos poderão continuar pegando onda, como é o caso da Praia Mansa, que fica vizinho.

A mobilidade urbana definitivamente não será co mprometida, pois 90% do material utilizado no estaleiro será aço, que não é transportado por vias terrestres, mas pelo mar.

A hipótese de desapropriações é infundada, pois o estaleiro deverá ser construído dentro do mar, de modo que não será necessário retirar as famílias de suas casas, pelo ao menos é o que garante o Governo do Estado, que não só não vai desapropriar as famílias como se dispôs a financiar o projeto de revitalização da Prefeitura, com melhoria das casas, das ruas, pois não há incompatibilidade entre um projeto e outro, os dois podem ser realizados de modo que o turismo não seja afetado e todos saiam ganhando.

Em referência a ZEIS, a área em que será instalado o empreendimento não está situada dentro de nenhuma de suas áreas de proteção.

Benefícios

  • O estaleiro deverá proporcionar 1200 empregos diretos e 5000 indiretos, beneficiando a população da comunidade.
  • Revitalização da orla e da comunidade em geral.
  • Aumento na arrecadação de impostos e PIB do Estado, que possibilitará o desenvolvimento do mesmo, além da distribuição pelos municípios.

Outros empreendimentos

Está sendo construída no Pecém, município de Caucaia, em uma área reservada de 2.000 ha, uma refinaria de petróleo que irá produzir 300 mil barris por dia, totalizando um faturamento anual de R$ 22 bi por ano, correspondente a 45% do PIB do Ceará.

Está prevista também a construção de uma siderúrgica no Estado, de onde sairão as placas de aço para a construção dos navios. Com o financiamento da Vale e da Donkuk, uma empresa Koreana, a siderúrgica cearense exportará 50% da sua produção para a Koréia, e a outra metade deverá ser vendida para o mercado interno pelo Governo do Estado, que tem pretensões de atrair duas montadoras de veículos da China ou da Koréia, já estando bastante avançadas as negociações. As montadoras utilizarão, também, as placas produzidas pela siderúrgica na fabricação dos veículos.

O estaleiro se insere nesses dois projetos, sendo significativos uns para os outros, de modo a viabilizar a sustentabilidade do empreendimento.

Por Cinésio Lima

www.informegeracao.com

Um comentário :

  1. o estaleiro do ceara vai ter um impacto ambiental muito grande

    fala:sr.pres.do projeto ambiental com-vida ceara

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"O sucesso normalmente contempla aqueles que estão ocupados demais para procurar por ele"