quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Risco de nova epidemia com a volta do Denv-1 (DENGUE)


Tauá é motivo de preocupação para o Estado por já ter apresentado 319 casos em janeiro e fevereiro
Após quatro anos sem registro do sorotipo Denv-1 de dengue no Ceará, em 2010, este tipo volta a circular pelo Estado, podendo provocar uma nova epidemia. O último surto da doença causada pelo tipo 1 ocorreu em 1994. O Denv-1 apareceu no Estado entre 2001 e 2003 e em 2005, mas de maneira isolada, sem provocar epidemia.

Os dados divulgados pelo boletim semanal da dengue, da Secretaria da Saúde do Estado, mostram que Tauá registrou 319 casos, nos meses de janeiro e fevereiro, o que pode ser motivo de alerta para o Governo do Estado do Ceará.

A situação de Fortaleza ainda não é preocupante. Na Capital, foram registrados 57 casos de dengue este ano. Ao todo, foram notificados 839 casos suspeitos de dengue em 57 municípios cearenses. Desses, há 432 confirmados em 13 municípios.

De acordo com o infectologista Ronald Pedrosa, é provável que o surto ocorra, em 2010, com a volta do tipo 1 do vírus, justamente porque o Ceará passou quatro anos sem registros deste tipo. Como a infecção por um dos tipos dá proteção permanente para o mesmo sorotipo e imunidade parcial e temporária contra os outros três, as faixas que ainda não foram atingidas serão. "Muitos não estão imunizados do Denv-1, sobretudo as crianças", explicou. Apesar de que o Denv-1 não é agressivo.

O que se pode fazer para evitar a epidemia é a prevenção, segundo o infectologista. Ronald Pedrosa acredita que o Estado está preparado para enfrentar um novo surto da doença, até porque já tem experiência de outras epidemias. "Como o trabalho de prevenção e combate à dengue, nos últimos anos, foi bem feito, provavelmente o Ceará não vai ter complicações mais sérias", disse.

Os sorotipos são trazidos para o Estado por meio de pessoas que se deslocam, levando o vírus, como explica Ronald Pedrosa. O Ceará já registrou quatro picos endêmicos, nos anos de 1987, 1994, 2001 e 2008, sendo que em 2001 e em 2008 a epidemia aconteceu pelo tipo 2.

De acordo com o infectologista, a estimativa é de que, no Ceará, o surto não seja tão grave porque a última epidemia que aconteceu com o tipo 1 do vírus registrou um número muito elevado de casos. Já outros estados, como o Piauí, que não tiveram tantos casos, enfrentarão mais problemas.

O médico alerta para os cuidados de prevenção, como tampar as caixas d´água e não deixar tanques, tinas, potes de barro e tambores cheios.

AÇÕES
Estado e Município se preparam para epidemia
Para evitar a epidemia, medidas estão sendo tomadas pelo Governo do Estado do Ceará e Prefeitura de Fortaleza. Porém, basta um controle razoável focado na prevenção para impossibilitar o surto, mesmo havendo um número elevado de casos, de acordo com o coordenador de Promoção e Proteção à Saúde da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), Manoel Fonseca.

O coordenador garante que a Secretaria tem investido em prevenção. "Realizamos a Operação Carnaval 2010 sem dengue, que previu a pulverização com inseticida em 25 municípios cearenses, antes do período momino, além da orientação de equipes para o trabalho de combate aos focos", informou.

Depois do Carnaval, o fumacê retorna aos 23 municípios. Fonseca ressaltou que a Sesa está apoiando os municípios que saíram do controle, como Tauá, nos Inhamuns.

Em Fortaleza, onde o risco é maior por conta do contingente populacional, a Prefeitura tem investido no tratamento focal, apesar de o gerente da Célula de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Antônio Lima, lembrar que a epidemia pode não acontecer. "Ainda não tem material biológico que confirme", disse.

De acordo com Lima, as ações tradicionais para evitar um surto vão continuar sendo realizadas. "Ações de caráter mais abrangente serão realizadas também, como o tratamento inseticida", informou.

LINA MOSCOSOREPÓRTER

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