domingo, 28 de fevereiro de 2010

Número de mortos no terremoto do Chile passa de 700


Leia relato da estudante brasileira Allana Alves; envie fotos e relatos dos tremores
Atualizada às 16h11
28 Fev 2010 - 11h12min
Pelo menos 708 pessoas morreram no terremoto e no posterior tsunami que atingiram o Chile este fim de semana, a maioria delas na região de Maule, no sul do país, informou a presidente chilena, Michelle Bachelet. Em nota, a presidente disse que 2 milhões de pessoas foram afetadas, o que representa mais de 10% da população do país (16 milhões), e 1,5 milhão de casas foram danificadas. As informações são da BBC Brasil. 

Na tarde deste sábado, a diretora do Escritório Nacional de Emergências do Ministério do Interior, Carmen Fernández, disse que a estatística do número de vítimas do terremoto "muda de minuto a minuto". Em cinco regiões do país, o governo declarou “estado de catástrofe”, incluindo a capital Santiago.
 

"Não estamos falando de estado de catástrofe como estado constitucional. Estamos falando de zonas afetadas por catástrofe", explicou Bachelet. Segundo ela, essas áreas receberão "facilidades institucionais para responder à crise e recursos extraordinários e atribuições extraordinárias".
 

O aeroporto de Santiago, que teve seu prédio danificado, permanece fechado. O maior terremoto já registrado no mundo também aconteceu no Chile, em 1960, com magnitude de 9,5 graus na escala Richter, e devastou a cidade de Valdívia, deixando 1.655 mortos.
 


Terremoto afeta 2 milhões de pessoas no Chile, diz presidente
 

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, falou à Nação na noite deste sábado para informar que o terremoto que atingiu o país afetou dois milhões de pessoas.
 

"Foi um terremoto de grande força", disse Bachelet, advertindo que "ainda não é possível avaliar tudo".
 

"A força da natureza atingiu novamente nossa pátria", lamentou a presidente, que declarou "zona de catástrofe" seis regiões do Chile, o que facilitará a entrega de ajuda e recursos.
 

A presidente, que sobrevoou durante a tarde a região da cidade de Concepción, uma das zonas mais afetadas, pediu calma à população e manifestou suas condolências às famílias das vítimas.
 

Bachelet informou que decidiu adiar o início do ano escolar - previsto para o dia 3 de março - e a realização de espetáculos, por 72 horas.
 

O tremor teve seu epicentro a 90 km de Concepción, cidade de meio milhão de habitantes 500 km ao sul de Santiago, onde há cerca de 400 mil "afetados", segundo a diretora do Bureau Nacional de Emergências (Onemi), que coordena a crise.
 

A principal ponte da cidade, construída sobre o rio Bio Bio, ficou destruída.
 

A ilha chilena de Robinson Crusoé, a 700 km da costa, foi varrida por um tsunami que deixou cinco mortos e 11 desaparecidos.
 

Segundo a ministra da Habitação, Patricia Poblete, o terremoto afetou mais de 1,5 milhão de residências, em todo o Chile.
 

"Estamos falando de uma cifra preliminar de 1.500.000 residências" afetadas, sendo cerca de 500.000 com "danos severos" e que "provavelmente ficarão inabitáveis".
 

O tremor destruiu pontes na zona urbana de Santiago e parte importante da infra-estrutura de passageiros do Aeroporto Internacional da capital chilena, fechado por 24 horas.
 

Segundo a Direção Geral de Aeronáutica Civil (DGAC), a pista do terminal não sofreu danos, mas a estrutura que sustenta a plataforma de passageiros ficou destruída.
 

De acordo com o Centro Geológico dos Estados Unidos (USGS na sigla em inglês), o terremoto teve seu epicentro a 35 quilômetros de profundidade, na região de Bio Bio, a cerca de 320 quilômetros ao sul da capital Santiago e a 91 quilômetros ao norte de Concepción. Horas depois do primeiro tremor, a região foi atingida por um segundo, de magnitude 6,2.
 

Na capital chilena, relatos dão conta de que os prédios tremeram entre 10 segundos e 30 segundos. Depois do terremoto, tremores secundários de intensidade variável foram registrados em todo o país, levando as autoridades chilenas a pedir aos moradores que permaneçam em casa.
 

Há inclusive depoimentos de pessoas que dizem ter sentido os efeitos no Brasil. A Defesa Civil de São Paulo confirmou os relatos, mas disse que não há danos ou vítimas.
 

O maior terremoto a atingir o país no século passado foi um tremor de magnitude 9,5, registrado na cidade de Valdívia em 1960, deixando 1.655 mortos.
 


Confira, abaixo, relato da estudante brasileira, Allana Alves, que está no Chile.
 

Eram quase 4h da manhã quando parecia que eu estava dentro de um liquidificador. Como eu estava dormindo, a princípio não pensei em terremoto. Mas dois segundos depois já corri para debaixo de uma mesa que tem no meu quarto. Moro no centro de Santiago, e parece que aqui o terremoto foi um pouco menos intenso que em outras cidades. Mesmo assim foi forte. Nos edifícios em frente ao meu, janelas quebradas e muitas pessoas nas ruas. O barulho que mais se escutava era de sirenes de carros de bombeiros, ambulância e polícia.
 

No meu apartamento ainda moram mais quatro chilenos, mas só um estava aqui comigo. Passamos o resto da madrugada conversando e imaginando o que realmente teria acontecido. Ficamos sem energia e sem internet. Só quase meio dia de sábado tudo voltou. Ainda estou apreensiva de sair às ruas. Meu primeiro contato foi com outra amiga brasileira, que assim como eu, está aqui para estudar na Universidad Diego Portales. Tudo bem com a Viviane e com o seu namorado Igor.
 

Parece que outros tremores estão previstos. Eu não sei o que pensar ou fazer. Como moro em apartamento fico com mais medo ainda. Mas sei que tem pessoas mais assustadas ainda, que perderam parentes e não sabem o que fazer. Durante todo o sábado o metrô vai ficar fechado. Ônibus são poucos nas ruas. Não sei quando tudo vai voltar ao normal. Espero que logo.
 


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