quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pelos Caminhos da História 6 - O Círculo Operário (parte 1)

    A demolição, em agosto de 1994, do prédio do Círculo Operário de Piquet Carneiro, tornou-se um dos temas de conversação dos mais acirrados, e, por extensão dos fatos, dos mais polêmicos, entre os de nossa terra; assunto este, aliás, até hoje, ainda muito comentado e discutido...
Contudo, limitar-me-ei, por enquanto, a discorrer acerca da História desta instituição, que foi o Círculo Operário, reservando uma palavra sobre as "circunstâncias" em que se deu a "demolição" do velho prédio para a próxima edição do "Informe".

    O MOVIMENTO CIRCULISTA
    Os Círculos Operários nasceram sob o bafejo da Encíclica Rerum Novarum (Das Coisas Novas), do Papa Leão XIII, publicada em 15.05.1891. A missiva deste grande Pontífice (que governou a Igreja por longos 25 anos, de 1878 a 1903) ficou mundialmente conhecida como a "Carta Magna da Condição dos Operários". Com efeito, os Papas que sucederam a Leão, a este seu Documento sempre se reportaram, adaptando-lhe e ampliando-lhe os ricos ensinamentos, em termos de "doutrina social". Veja-se: Quadragesimo Anno (Pio XI, em 1931), Radiomensagem pelo 50º ano da Rerum Novarum (Pio XII, em 1951), Mater et Magistra e Pacem in Terris (João XXIII, em 1961 e em 1963), Populorum Progressio e Octogesima Adveniens (Paulo VI, em 1967 e em 1971), Laborem Exercens e Centesimus Annus (João Paulo II, em 1981 e em 1991), e a recentíssima Caritas in Veritate (de Bento XVI, em 2009).
    Foi para fazer face à "sede de inovações", pelas quais a relação entre capital e trabalho (patrão e operário) vinha passando em escala mundial, que surgiu tão admirável documento do magistério pontifício.  A Rerum Novarum transformou-se num verdadeiro manifesto, vindo do "Trono" mais célebre do mundo, isto é, da Cátedra de São Pedro, em apoio aos trabalhadores, em ordem a que eles se unissem, em cooperativas e sindicatos, na procura e na defesa dos seus direitos. Além disso, a Igreja buscava, com o "movimento circulista", arrefecer, senão frear, os avanços do comunismo-ateu, que se ia difundindo, a passos de gigante, pelo mundo afora. image

    19 DE MARÇO DE 1949: PIQUET CARNEIRO TEM SEU CÍRCULO OPERÁRIO!
Apoiando-se, pois, na referida "Doutrina Social da Igreja", o Pe. Antônio Pinheiro Freire, dinâmico 1º vigário de nossa paróquia, resolveu instituir o Círculo Operário de Piquet Carneiro. Fixou-se, então, a data de fundação deste, para o dia 19 de março, solenidade de São José, do ano de 1949. Consoante a "Ata de fundação", soavam 19 horas e 15 minutos, quando ocorreu a 1ª Sessão do Círculo local, sob a presidência do vigário Antônio Freire. Da 1ª Diretoria, fizeram partes estes cidadãos: Presidente: Agaús Barbosa; Vice-presidente: João Marques da Silva; 1º Secretário: Otávio Alencar; 2º Secretário: Osmar Pereira de Lucena; 1º Tesoureiro: Francisco Félix; 2º Tesoureiro: Raimundo Alves Pinheiro; e, como Delegado Geral, (Representante do Círculo): Manoel Reinaldo. Veem-se, no sobredito documento, as assinaturas destas personalidades: Pe. Antônio Freire (Assistente Eclesiástico do Círculo Operário), Luiz Aires de Souza (redator da Ata), Mariano Aires do Nascimento, Agaús Barbosa da Costa, Severino Alves Barbosa, José Marques Filho, Alfredo Ribeiro (do Circulo Operário de Quixeramobim), João Marques da Silva, Otávio Alencar, Joaquim Rodrigues de Paula, Francisco Félix, Manoel Reinaldo, Osmar Pereira de Lucena e Raimundo Alves Pinheiro.
    A CONSTRUÇÃO DO PRÉDIO: UM LONGO EMPREENDIMENTO!
    A construção da "sede própria" do Círculo consumiu alguns anos, porque, pelo que está contido nos "relatórios" desta entidade, as reuniões transcorreram, em "sede provisória", de 19.03.1949 até 19.03.1952.
A primeira referência à construção do edifício-sede, vamos encontrá-la na "Ata da 35ª Sessão Ordinária", redigida por Josélia Marques, então 2ª secretária, transcorrida em 17.09.1950. Nela, há menção à quantia de Cr$ 10.000,00 (dez mil cruzeiros), trazidos pelo Dr. Antônio Horácio Pereira (?), "que era para a construção do prédio do Círculo Operário de Piquet Carneiro".
    As atividades para tal fim prolongam-se, na verdade, pelo biênio 1950/1951, haja vista que, somente à altura da "62ª Sessão Ordinária", celebrada em 16.12.1951 (na véspera, como se vê, do grande acidente ferroviário!), é que surge uma "nova informação" (contida, é claro, em "Ata") acerca dos trabalhos de edificação da "nova sede". Diz-nos, com efeito, a 2ª secretária (agora, Maria Soledade Carvalho): "Foi feito pelo sócio Antônio Silva uma oferta ao C. Operário, de um fio de pedra para a calçada do novo prédio, pedindo também o auxílio dos circulistas para ser transportadas as pedras para o local referido". Ainda é Soledade Carvalho quem nos oferece a notícia do dia em que, pela vez primeira, reuniu-se, enfim, o Círculo Operário, em seu novo e definitivo edificio: "O Revmo. Pe. Freire cientificou-nos que o dia 19 de março tinha uma significação particular para o operário, principalmente para este Círculo, pois, neste dia, desejava fazer a 1ª sessão no prédio novo, ficando lá estabelecido o Círculo Operário." (Cf. Ata da 67ª Sessão do Circulo Operário de Piquet Carneiro, dia 2.03.1952, páginas 52v.e 53). Mas, assim mesmo, a obra não estava, de todo, concluída: em 2.05.1954, por ocasião da 101ª Sessão, consta em Ata a necessidade de "conseguir-se (junto à Prefeitura de Senador Pompeu) subvenção, para terminar a contrução da sede". E ainda: em 4.05.1955, o então Presidente do Círculo, Sr. Francisco Martins de Morais (Seu Nêgo), falava, na 118ª Sessão, que os seus "primeiros projetos seria de elevar os serviços da sede, principalmente o muro e a frente, que estavam completamente estragados".
Finalmente, da "inauguração oficial" do prédio, só ouviremos falar em 4.08.1957, estando-se agendado o solene evento para o 27 de outubro subsequente, quando já era vigário de Piquet Carneiro o Revmo. Pe. Alberto Nepomuceno de Oliveira.


Até a próxima edição!
Osmar Lucena Filho - Professor e Historiador

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