quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Pelos Caminhos da História 5 - Altar-mor e Torre da Igreja Matriz

     Nesta edição, dou sequência à crônica sobre a igreja matriz de Piquet Carneiro, falando, agora,   acerca do altar-mor e da torre deste templo.
    Para os que ignoram a expressão "altar-mor", vai aqui uma definição:  é o altar principal, geralmente mais adornado, onde o sacerdote celebra o Augusto Sacrifício, ou seja, a santa Eucaristia. Nele, em geral, fixa-se a imagem do padroeiro (a). Convém lembrar que, até por volta dos anos 1960, antes da reforma advinda do Concíclio Ecumênico Vaticano II,  a igreja matriz de Piquet Carneiro possuia, além do altar-mor, alguns altares laterais, dedicados à Nossa Senhora de Fátima, a São Vicente de Paulo e a São José.  imageQuem se permitir o trabalho de observar, atentamente,  algumas paredes internas da igreja matriz, verá ainda as "marcas"  dos antigos "nichos" (cavidades abertas em paredes) assinalando a existência desses extintos altares.
    Voltando ao altar-mor de nossa matriz paroquial, devo dizer que ele foi adquirido mediante compra efetuada pelo 2º vigário de Piquet Carneiro, o Pe. Alberto Nepomuceno de Oliveira, que regeu esta freguesia do Sagrado Coração de Jesus,  de 5 março de 1955 até 29 de janeiro de 1959. 
    Na página 15 do Livro do Tombo, isto é, o  livro em que os vigários, ou secretários por estes nomeados,  vão registrando os principais eventos da vida paroquial, Pe. Alberto afirma que a compra deste altar custou aos cofres da Paróquia local um montante equivalente a  Cr$ 83.000,00; acrescentando, a seguir, que, em face do transporte,  da  montagem e da  mão-de-obra do mesmo, gastou-se cifra da ordem de Cr$ 15.000,00.
    Uma belíssima descrição do altar-mor da matriz de Piquet Carneiro é-nos feita pelo pesquisador e historiador Francisco de Andrade Barroso, em seu livro Igrejas do Ceará - Volume 1, de 1997: "O altar é de marmorite, muito bem feito, (...) elevando-se em forma de cruz, larga, de bordas salientes, contendo em seu suporte ou mísula, a imagem do Padroeiro. À frente do suporte fica um crucifixo, que repousa sobre o Sacrário, do mesmo marmorite, com cofre de aço por dentro. Aos lados deste encontram-se degraus para vasos e castiçais. A ara assenta sobre colunelas róseas, com um medalhão, na parte inferior central, representando a cena bíblica do pelicano que alimenta os filhotes com o próprio sangue."
    Barroso só não faz menção à inscrição latina,  que circunda o medalhão com o pelicano, que diz: PIE PELLICANE IESU DOMINE. Em vernáculo: Senhor Jesus, terno pelicano.
    Na verdade, essa frase é um trecho de um antiguissimo Hino,  com que se louva e se adora o Santíssimo Sacramento, chamado   "Adoro te devote" (ADORO-TE COM DEVOÇÃO),  atribuído a Santo Tomás de Aquino, um gênio da Teologia, falecido em 1274: "Pie pellicane, Iesu Domine, / Me immundum munda tuo sanguine. Cuius una stilla salvum facere / Totum mundum quit ab omni scelere.". Em vernáculo:  "Senhor Jesus, terno pelicano, lava-me a mim, imundo, com teu sangue, do qual uma só gota já pode salvar o mundo de todos os pecados."
    Sabe-se,  por numa ata do extinto Circulo Operário de Piquet Carneiro,  que a solenidade de consagração deste Altar transcorreu no dia 27 de outubro de 1957, sendo oficiante o dito Pe. Alberto Oliveira.
A TORRE
    Coube também ao Pe. Alberto Oliveira o mérito de erguer a torre de nossa matriz paroquial, cujos trabalhos consumiram valores orçados em  Cr$ 140.000,00. (Cf. Livro do Tombo Paroquial - página 15).
    O cronista - no caso, o vigário Alberto -  não faz, no texto que deixou no Tombo, nenhuma menção aos operários que executaram obra de tão expressiva magnitude.  Mas, por informação que me foi repassada por meu genitor, Osmar Pereira de Lucena, na época um estreito colaborador do vigário,  a construção da torre, ocorrida em 1956,  contou com a atuação do renomado "Mestre Caboclim", lá de Capistrano de Abreu, figura a que já me reportei na crônica precedente.  "Caboclim" é,   de fato, um referencial,  quando se trata de assunto inerente à construção de igrejas.
    Alberto Oliveira também não se refere , por exemplo, à compra e à instalação do "relógio de torre" da nossa matriz, que, infelizmente,  funcionou durante pouco tempo, e por isso mesmo, hoje, só pode ser "apreciado" ,  através de fotografias.
    Em 9 de fevereiro de 1959, Pe. Alberto é sucedido pelo Pe. Francisco Alves Teixeira (1959-66), que se encarregaria de "mosaicar" parte da nave central da matriz piquetcarneirense (fato ocorrido no ano de 1960) e de dotar o aludido templo,  de suas primeiras bancadas (também em 1960). No paroquiato seguinte, do Pe. Agostinho Paulino de Melo (1966-74), seriam efetuadas obras de menor notoriedade, como a substituição das janelas de madeira por tijolos ao estilo "combogós".
    Deveria ainda ressaltar as grandes reformas havidas em nossa igreja, nos últimos tempos, graças ao empenho de toda a Comunidade Paroquial, como, a exemplo,  as pinturas no teto, feitas em 2006.  Mas, em seu conjunto,  isto, de tão grandioso, comportaria, naturalmente,  um novo artigo.  Até!

Osmar Lucena Filho
Professor e Historiador

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