terça-feira, 8 de setembro de 2009

Pelos Caminhos da História 4 - Nossa Igreja: de Capela a Matriz

      A ninguém, creio eu, passa despercebido,  o fato de que, ao lado da construção da Estrada de Ferro de Baturité - EFB, um outro evento, também ele importante,  em relação ao surgimento da Vila de Jirau, foi a edificação, em 1924, da capela em honra do Sagrado Coração de Jesus. 
    Há 10 anos, em agosto de 1999,  por ocasião do lançamento do livro "A Caminhada da Fé", de minha autoria, empreendi farta pesquisa sobre as origens desse primitivo templo, erguido por aqueles que nos precederam nos caminhos da Fé,  militando debaixo da mesma Bandeira do Sagrado Coração de Jesus.
    Agora, ao redigir mais uma crônica, de caráter  histórico-documental, para as páginas do Geração, a ela, isto é, à pesquisa mencionada, retomo, no desencadeamento do assunto em questão: a história de nossa igreja, de capela à matriz. 
   image Devo, de antemão, agradecer a três pessoas, que muito me auxiliaram no repassar oportunas informações a respeito da construção da capela supracitada:  Paulo Gomes Ferreira, Margarida Alves Ferreira e Luiz Gonzaga do Nascimento.
     De Margarida, minha tia, colhi a notícia de que os serviços de edificação da igrejinha foram realizados em forma de mutirão: ela mesma, na época com apenas  10 anos de idade, associou-se ao número dos que "carregavam os tijolos",  em vista, naturalmente, do soerguimento das paredes do aludido templo. 
    Na consolidação desta página de nossa história, dois nomes refulgem, de forma, assim, bem especial: o Pe. Francisco Lino Aderaldo de Aquino (+ 18.07.1941) e o sr.  Joaquim Rodrigues de Paula (+ 29.07.1961). O primeiro, por haver sido o condutor-mor dos trabalhos, porque era  o "Cura" das almas d´então; o segundo, pela doação, que fez, do terreno para a construção da capela,  fato concretizado, de forma oficial,  no Cartório de Senador Pompeu, aos 2 de janeiro de 1925, tendo Casemiro Nogueira e Mariano Aires do Nascimento servido como "testemunhas".
     Consoante a Escritura de Doação,  a capela encontrava-se situada em  local privilegiado: "à margem direita da Estrada de Ferro de Baturité". De fato, daí se podia vislumbrar  a estação ferroviária,  outro  marco significativo,  no que tange à expansão e ao desenvolvimento da Povoação de Jirau.
     No ano de 1948, uma vez erigida a paróquia, e dado o consequente ato de posse do 1º vigário,  na pessoa do Revmo. Pe. Antônio Pinheiro Freire, a velha capela haveria, como era natural, de passar por séria reforma e ampliação, em sua rústica estrutura, que lembrava um chalé, cujo telhado apresentava forte caimento e beirais avançados. 
    Paulo Gomes Ferreira (o Pepé) e Luiz Gonzaga (o Gonzaga) disseram-me que, nessa fase inicial de ampliação da nossa igreja,  a condução dos trabalhos concentrou-se nas hP8200002 ábeis mãos do famoso mestre "Caboclim", que viera de Capistrano de Abreu,  a convite do próprio Pe. Antônio Freire. Ambos eram, na verdade, velhos amigos e, por sinal, conterrâneos. Caboclim, assistido por sua equipe, da qual Paulo e Gonzaga fizeram parte, tomava, então, a peito,  a ingente tarefa de moldar a face e o interior da nova igreja matriz, não longe, nem ele nem sua equipe,  do "olhar" vigilante de Antônio Freire, o exigente primeiro Vigário de Piquet Carneiro.
    O ato de transformar uma "capela"  em "matriz",  deve ter,  realmente, absorvido muitas energias dos que a ele se dedicaram no curso de dois ou três anos, entre 1948-51. Em meio ainda a toda essa atividade,  não se desconheça a atuação de mais dois pedreiros: Mestre Lulu ( vindo do Riacho do Sangue ) e Francisco Policarpo (+ 1989).
     Verdade é que o frontispício de nossa igreja matriz já se apresentava no ano de 1951, com exceção da torre, exatamente como ele é visto em nossos dias, conforme nos revela uma fotografia da época, que tenho em meus arquivos.
    Enfim, da capela de outrora, pelo que me disse Gonzaga, nossa matriz conserva, apenas, os "arcos" que se agigantam sobre as colunas da nave central.
     No próximo número, falarei sobre as construções, respectivamente,  da torre,  e do altar-mor.
     Aguardem!
                                                                                                                                                      Osmar Lucena Filho

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