terça-feira, 4 de agosto de 2009

MONUMENTO SEPULCRAL DO PE. JOÃO EPIFÂNIO GUIMARÃES


No centro do velho cemitério local, ergue-se, imponente, um monumento fúnebre, que, guardando-lhe os ossos e as cinzas, ali depositados à espera da ressurreição da carne, perpetua, entre nós, a memória do Reverendíssimo Pe. João Epifânio de Freitas Guimarães.
Verdade é que o monumento supracitado já mostra, perceptivelmente, por toda a parte, os sinais de desgaste, que lhe vem causando, de forma impiedosa, a pátina do tempo.
Quem foi o Pe. João Epifânio de Freitas Guimarães?
Francisca Nilzete Franco Cavalcante, antiga zeladora do Apostolado da Oração de Piquet Carneiro, teve o cuidado de consignar em Ata da sobredita agremiação religiosa, por ela própria redigida, os dados biográficos desse presbítero.
Apoiada em dados históricos, provavelmente, coligidos pelo célebre pesquisador da História Eclesiástica do Ceará, Dr. Haroldo Mota, Nilzete Cavalcante nos diz ser o Pe. Epifânio um filho natural de Maranguape-CE, tendo chegado ao mundo no dia 7 de abril de 1875, e que seus genitores foram o Dr. Américo Militão de Freitas Guimarães, um desembargador, e dona Helena Claudina Guimarães.
Após os estudos seminarísticos, cursados no velho e célebre Seminário da Prainha, em Fortaleza, João Epifânio foi ordenado padre. Era 30 de novembro de 1899. Seguiram-se, logo após sua ordenação, diversos cargos na vida eclesiástica, dos quais buscou se desincumbir com êxito: Vigário de Trairi (de 15.02.1900 até julho de 1901); Vigário de Pedra Branca (de 14.11.1901 até 15.11.1916); Vigário de Palmas (de 18 de maio a 29 de novembro de 1933). Tranferiu-se para a Diocese de Mossoró-RN. De volta ao Ceará, tornou-se, em 7 de março de 1944, cooperador do Vigário de Itapipoca. Finalmente, ingressou em Piquet Carneiro no mês de janeiro de 1945, trazido pelas mãos do Pe. Odilo Lopes de Melo Galvão, vigário de Senador Pompeu, que logo o tornou um auxilar seu, no governo de nossa primitiva capela.
Pe. João Epifânio, lamentavelmente, aqui chegara com a saude já debilitada, e, por isso mesmo, entre os de nossa terra não conviveu ele, senão pelo espaço de um semestre, pois veio a falecer na madrugada de 3 de junho daquele mesmo 1945, aos 70 anos de idade. Deram-lhe, primeiramente, sepultura, numa cavidade aberta no interior da própria terra. Depois, em 1950, por iniciativa e campanha articulada pelo primeiro vigário de Piquet Carneiro, o Pe. Antônio Pinheiro Freire, construiu-se-lhe, então, como forma de homenagem póstuma, um túmulo, em cujo epitáfio ainda podem ser encontradas estas expressões: "PE. JOÃO EPIFÂNIO DE FREITAS GUIMARÃES:* 7.IV.1875 + 3.VI.1945. HOMENAGEM DOS PAROQUIANOS DE PIQUET CARNEIRO."
Por informação de minha genitora, Letícia Lucena, que o conheceu de perto, exatamente em decorrência de suas limitações físicas, Pe. Epifânio costumava presidir, sentado, a eucaristia. Mas, no decorrer dos seis meses em que ele residiu em Piquet Carneiro, não se descuidou, jamais, de celebrar a Santa Missa, alimentando, por conseguinte, com o pão eucarístico, as almas dos féis, a ele espiritualmente confiadas.
Mais esta informação: para os que possuem o dom da Fé e acreditam na intercessão dos que já gozam da visão beatífica de Alto, junto do Trono de Deus, há até quem credite à alma do Pe. João Epifânio graças alcançadas.
Achando-se o seu túmulo, como está, quase arruinado, não seria oportuno proceder-se já, a uma nova campanha, em vista, agora, da "restauraçao" da tumba desse humilde e santo sacerdote?

Osmar Lucena Filho
Professor e Historiador

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