sábado, 30 de maio de 2009

PIQUET CARNEIRO: QUEDA E ASCENSÃO ECONÔMICA

12 de julho de 1957 foi o dia em que o então Distrito de “Jirau”, pertencente ao município de Senador Pompeu-CE, emancipou-se e foi elevado ao grau de município, passando a se chamar “Piquet Carneiro”.

               “Piquet Carneiro” era o sobrenome de um engenheiro renomado, responsável por grandes obras em todo o Estado, como por exemplo o Açude Cedro, de Quixadá, e, à época, à serviço da RVC – Rede de Viação Cearense, foi responsável pela construção da linha de Ferro ligando Crateús a Piquet Carneiro, que passou a ser ponta de linha, fato esse que mereceu até uma nota no distante Jornal “O Estado de São Paulo”.

                Vale ressaltar que a construção da Estação Ferroviária data do ano de 1907, portanto, época em que ainda era Distrito de Senador Pompeu. Com a instalação da mesma começaram a surgir prédios e casas ao redor da Estação, que dali em diante seria um marco na evolução tanto histórica como econômica da futura Piquet Carneiro.

                A ferrovia era, naquele tempo, o meio de transporte mais ágil e cobiçado, responsável pelo escoamento da produção do país, o que fez de “Jirau” um distrito privilegiado, pois, aproveitando essa exclusividade, poderia crescer tanto quanto a evolução daquele meio.

                Mas, a verdade é que a linha ferroviária era apenas um “meio”. Para que a cidade tivesse uma evolução mais acelerada era necessário um “início” e um “fim”, ou seja, produtos para exportar e compradores interessados. O que podemos supor nesse sentido, é que mesmo Jirau sendo notavelmente um distrito protagonista, resumia-se a algumas poucas famílias com seus criados, que produziam arroz, milho, feijão, frutas, para o consumo diário, e algodão e café, que eram as estrelas da economia da época, mas não na quantidade necessária a um crescimento em maior velocidade e proporções.

                O tempo foi passando, veio a emancipação, mas quando o município acordou e reuniu forças para agir, o momento já não era o melhor, e mesmo sendo ativo economicamente, não se desenvolvia e, de certa forma, teve sua economia estagnada, até chegar ao ponto de manter-se quase que exclusivamente às custas do dinheiro dos beneficiários da Previdência Social e as opções de emprego resumiam-se a agricultura e o serviço público.

                Essa situação, que podemos com certeza lamentar, estendeu-se durante 4 décadas, e só agora, quando completa sua 5ª década de emancipação política, nosso município começa a se estruturar urbana e economicamente, encontrando-se atualmente em um ambiente em que despontam algumas culturas econômicas propícias ao desenvolvimento local,  que carregam nas costas uma grande responsabilidade: a de conduzir novamente o município pelos trilhos da tão almejada “Ordem e Progresso” que inspira o dia-a-dia de toda essa gente que carrega no peito o “Orgulho de ser Brasileiro”, espalhada por essa imensa “Terra de Papagaios”.

                Para levar a você a informação da melhor qualidade possível, o gerAção entrevistou várias pessoas, pesquisou dados antigos e recentes, e, da comparação desses dados segue um estudo de como tem se dado a evolução econômica local, o momento que passamos e as perspectivas futuras.

COMÉRCIO LOCAL CRESCE 25% AO ANO

O comércio piqueense sempre foi limitado e sem muitas opções, e, de uma certa forma, proporciona à sua população, mas, ultimamente, tem se mostrado atrativo e inovador, se adaptando as novas condições de comércio nacionais e apresentando novidades que facilitam cada vez mais a vida do consumidor, o que o encaminha a tão sonhada excelência no atendimento, que atrai os clientes e gera renda com um gostinho melhor ainda, o da satisfação de ambos os lados.

Um dos fatores que podem servir de justificativa para essa nova maneira de pensar e agir pode ser atribuída a organização dos comerciantes através da criação da Câmara de Dirigentes Lojistas de Piquet Carneiro - CDL, que tem a missão de coordenar com representatividade a integração dos agentes econômicos do comércio para interagir no processo evolutivo do segmento, preservando seus interesses coletivos com responsabilidade social, e empreender um Centro de Excelência de Serviço e Apoio ao Desenvolvimento do Comércio, ensejando, de forma auto-sustentável, plena satisfação dos usuários.

Para saber como anda o segmento logístico piqueense, o gerAção entrevistou a Presidente da CDL, Kátya Soraya Mendes da Silva.

Segundo Kátya Soraya, a atual crise financeira tem afetado o comércio local, mas ainda assim esse setor se apresenta otimista, aproveitando o momento de turbulência para “explorar a criatividade e sair dessa crise mais fortes e experientes”.

Em uma análise feita pela Presidente com alguns dos filiados, foi constatado um crescimento médio de 25% em 2008. A expectativa para 2009 é fechar o ano com baixa inadimplência, se fortalecendo cada vez mais. “Sonhamos em crescer sempre e ter um maior poder de negociação com nossos fornecedores”. Traduzindo essa expectativa em números, ela defende uma margem entre 25% a 35% este ano, longe do fantasma da recessão mundial.

Kátya chegou à presidência da CDL de Piquet Carneiro em decorrência do seu sucesso na área de vendas, seu instinto de inovação e um bom desenvolvimento em comunicação. Pedimos a ela que, a seu exemplo, desse um conselho aos novatos do ramo, ao que respondeu: Ter muita paciência nas tomadas de decisões e saber qual o momento certo de agir. Contudo, estar antenado às novas tendências de mercado é um diferencial que nos direcionará para qual caminho seguir. O fato é que devemos ter uma visão também de cliente e não somente de empresário. Aproveito aqui e deixo um convite à leitura: existe um livro muito conhecido no mercado literário, que é “O Monge e o Executivo” (James Hunter). O autor contribui muito nesta reflexão.”.

Com isso é possível concluir que o comércio de Piquet Carneiro anda com suas próprias pernas e muito bem por sinal, cabendo agora apenas aos governantes administrar a renda gerada ao município em forma de impostos, e por parte da população, basta fazer o que diz o slogan da CDL: “Valorize o comércio piqueense”.

AGROECONOMIA PIQUEENSE EM ALTA

Historicamente Piquet Carneiro tem uma “cultura econômica” em sua totalidade “agrária”. O que podemos perceber hoje no tocante a essa área, é o resultado do aperfeiçoamento desses costumes, que foram passados de pai para filho.

         Assim sendo, ninguém melhor para dizer em que passo estamos nesse setor e que perspectivas podemos alimentar, do que o atual Secretário de Agricultura Faustino Pinheiro.

          A entrevista foi realizada na sede da Secretaria de Agricultura, onde o Secretário recebeu o gerAção com muita cortesia, para uma “conversa”, podemos assim dizer, dado o desenrolar das colocações daquela tarde. Foram questionados vários tópicos da economia e desenvolvimento local, os quais você poderá conferir a seguir.

          Ao assumir a pasta da “Agricultura” em janeiro deste ano, uma das primeiras iniciativas de Faustino foi elaborar um mapeamento agroeconômico completo do município. A empreitada foi feita de maneira ágil, já sendo possível degustar os números quatro meses depois; tendo envolvido boa parte da equipe de serviço daquela secretaria composta por 24 profissionais, entre eles o Secretário, 02 Assessores, 02 engenheiros agrônomos, 10 técnicos em agropecuária e 01 agente administrativo. Com o mapeamento pronto, agora traçamos a seguir o perfil agroeconômico piqueense.

MAPEAMENTO EM NÚMEROS:

                                 

A área apícola é uma das culturas que mais cresce em Piquet Carneiro, proporcionando inclusão econômica e social para um número vários produtores. Desde 2005, quando teve início o acompanhamento desse segmento por parte do poder público, a produção do mel passou a ser organizada e em grande escala, tendo registrado um crescimento de quase 500% em apenas 4 anos, ou seja, a produção e comercialização do mel tem crescido em um acelerado ritmo de aproximadamente 125% ao ano, o que demonstra o enorme potencial do município nessa área e aponta enormes perspectivas de crescimento.

Segundo o técnico agrícola Zé Alberto, quês tem como especialidade a apicultura e faz parte da Associação de Apicultores do município, as perspectivas de crescimento para esse ano chegam a um considerável aumento de 50% da produção, atingindo a marca de 60 toneladas de mel, que serão exportadas e beneficiarão o nosso município.

Esses resultados podem ser apontados como conseqüência da organização dos produtores de mel, que agora contam com uma associação que possibilita todo esse trabalho, bem como é através da mesma que eles podem exportar e ainda vender o produto para o Governo Municipal através da Conab – Companhia Nacional de Abastecimento, que é mais um incentivo aos apicultores.

                               

Como se pode constatar no quadro acima, atualmente Piquet Carneiro tem, segundo o mapeamento, 13.600 animais divididos entre 1041 criadores/produtores.

Para você ter uma idéia das proporções que esses números representam, se dividíssemos o número de animais pela população segundo a última contagem realizada em 2007 pelo IBGE, de aproximadamente 14.736 habitantes, teríamos a inacreditável média de quase 01 bovino por pessoa. Esse fato, por si só, já representa um grande avanço para nossa economia, mas não param por aí; além da venda da carne desses animais, juntas, as 5025 matrizes bovinas produzem diariamente 14.572 litros de leite.

Uma observação relevante a se fazer nesse sentido é que nem toda essa produção encontra a sua venda em Piquet Carneiro. A maior parte desse leite é armazenada em 3 tanques de resfriamento com capacidade média para 2000 litros, instalados no município pela empresa Betânia, que recolhe a cada dois dias aproximadamente 5000 litros, pagando R$ 0,58 por litro, e ainda R$ 0,02 para cada litro armazenado nos tanques, para ajudar nas despesas de manutenção, segundo o Secretário Faustino Pinheiro.

Como uma boa parte dos produtores se encontra na Zona Rural, há ainda uma despesa média de R$ 0,06 por litro pelo transporte, reduzindo o ganho para R$ 0,52. Para estimular os produtores, a Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Ceará – SDA cobre esse valor, o que mantém a margem de lucro estável. E isso só é possível, graças ao fato de os mesmos estarem organizados em uma associação, que os propicia vários benefícios.

A previsão é de que a produção seja dobrada, com a instalação de um tanque no Sítio Monteiros (30 produtores), que já está em funcionamento, e mais 02 tanques que irão beneficiar duas novas comunidades, reduzindo as despesas e melhorando a circulação do produto.

O Presidente da Associação dos Produtores de Leite, José Valdenor Bezerra Júnior, confirma essa previsão e estima que a produção diária armazenada nos tanques poderá passar dos 3000l atuais para 6000l, atingindo a capacidade máxima do tanque instalado na sede. Ainda segundo Júnior Bezerra, o incentivo oferecido pela Empresa Betânia foi atualizado para R$ 0,03 por litro armazenado.

POR FIM...

Apesar de todas essas atividades serem de suma importância econômica para o município, talvez a que viria a trazer maiores resultados seja a produção de biodiesel, já que conta com uma mini-usina (unidade escola), com capacidade para produzir 860 mil litros de biodiesel por ano.

Atualmente, segundo o mapeamento da Secretaria de Agricultura, existem 83 produtores cadastrados, sendo destinados para o cultivo de oleaginosas uma área total de 161 hectares, compreendendo 144 hectares de mamona e 17 hectares de girassol.

Após fazer uma análise dos dados e “fatos” aqui apresentados, chegamos a conclusão de que a economia piqueense finalmente cria pernas e começa a andar; mais uma vez revivendo as condições favoráveis ao seu desenvolvimento vistas há um século, cabendo agora aos governantes, comerciantes, empreendedores e a população não deixar “o trem descarrilar novamente”.


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"O sucesso normalmente contempla aqueles que estão ocupados demais para procurar por ele"